segunda-feira, 23 de maio de 2011

Angústia e Solidão

“Só existe um problema filosófico realmente sério: o suicídio. Julgar se a vida vale ou não vale a pena ser vivida é responder a pergunta fundamental da filosofia”. (Albert Camus)

Depois de dias mal dormidos e um sentimento de angústia crescente como há tempos eu não sentia, me lembrei da citação aí de cima. Resolvi voltar a olhar para esta questão com mais seriedade. Saber se vale ou não a pena viver. Vale? Não vale? É nisso que andei pensando nestes dias. De certo ponto parece ser um assunto ridículo, ainda mais se levarmos em conta que tenho tudo aquilo que preciso para levar uma existência digna: casa, comida, trabalho, amigos e o conhecimento necessário para seguir em frente. Entretanto, sou obrigado a admitir uma coisa para vocês: sou um grande mentiroso para comigo e para com os outros. Como sei disso, talvez você esteja se perguntando, não? Respondo com o maior prazer: constato isso todos os dias antes de dormir. Quando está tudo em silêncio. Quando o dia está chegando ao fim. Quando não sei mais o que fazer...

É claro que teorizar sobre o suicídio é fácil. Você não morre por pensar. Quando não se pensa nestas coisas é porque já se está morto e não se percebe. Mas não precisam se preocupar, eu não vou embora. Não tenho coragem para isso. É triste pensar nestas coisas quando se é jovem, ainda mais quando existem tantas coisas para me distrair por aí. Mas eu não consigo. Devo buscar a coragem dentro de mim e dizer: “Olha, você não quer acreditar na realidade dos fatos, você sabe que não importa o que faça nada vai mudar, que este mundo é uma mistura de beleza e tristeza, e que angústia e solidão nascem da compreensão. Compreender que todas aquelas vezes que você parava e fechava os olhos para ouvir as diversas vozes dentro do ônibus, nada mais eram do que um eco dentro de sua pequena prisão: uma prisão feita de carne!”. Ora, se estou preso, encarcerado aqui dentro, e ando de um quarto para o outro, de um canal de televisão para outro, de um número de telefone a outro, e tenho vontade, às vezes, de sair desta prisão, o que posso fazer?

É claro que se pode deixar o tempo e os dias correrem. Isso não requer nada de mais, apenas covardia. Para se ter uma idéia de como a angústia dentro do peito - sentimento este que muitas vezes não conseguimos entender -, sufoca e nos faz olhar para os objetos ao nosso redor de uma forma apática, basta saber que dormir é o melhor remédio para este mal. Deitar-se de forma consciente, sem sono, sem necessidade aparente. Perder a consciência de forma tirânica. Esquecer de tudo por livre e espontânea vontade. Dormir para não precisar mais pensar me nada.

Então, o que representa o suicídio? Sou capaz de responder a pergunta primordial da filosofia? Sinceramente, não. Conheci pessoas que já levaram a cabo esta idéia, mas elas tinham motivos sérios para justificá-las. Meu único motivo é que não consigo entender o motivo de tudo isso. Sim, sou alguém que nasceu e por isso precisa viver, mas realmente existem momentos que nada mais faz sentido.

Filosofar é ser criança; é perguntar e voltar a brincar; é amar e não se preocupar.

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