sábado, 24 de maio de 2008

Vida Simples

“A pessoa realizada busca a liberdade e a pureza - Quem não confia na força inspiradora que há dentro de si, ou quem não a tem, é levado a buscar substitutivos como o dinheiro para compensar. Quando um homem tem confiança em si mesmo, quando só quer viver o seu destino em liberdade e pureza, começa a considerar todos os bens dispendiosos demais e claramente superestimados, como meros acessórios, talvez agradáveis de se ter e de usar, porém jamais essenciais”. (Bruce Lee)


Nestes últimos tempos tenho pensado no valor de uma vida simples e verdadeira. Numa vida sem tantas preocupações e compromissos. Onde eu possa olhar nos olhos das outras pessoas sem ter de esconder falsas intenções. Pode até parecer bobagem, mas estou cada vez mais convicto no valor de uma vida com menos. Uma vida com menos por fora e mais por dentro. E, pode ter certeza que é assim que vai ser daqui para frente.

Por que preciso de tantas coisas? A minha vida não é uma mercadoria que pode ser trocada por comida. Ainda não vendi a minha alma; nem me lembro de ter assinado nenhum tipo de contrato. Não sou nenhum fantoche nas mãos de pessoas ignorantes e ambiciosas que vivem apenas para explorar os outros. Desejo a liberdade de me deslocar para um lugar tranqüilo onde eu possa pensar em paz, sem que ninguém desconfie que tenha a intenção de roubar a casa de alguém. Que eles contratem cada vez mais seguranças para protegerem seus preciosos tesouros. Não me importo mais. A natureza me ensinou que frutos muito tempo guardados só podem vir a apodrecer. Quanto mais nos preocupamos com os acessórios que trazemos junto ao corpo, menos enxergamos a beleza ao nosso redor.

Palavras serão sempre meios pobres para descrever algumas coisas deste mundo. Há algum tempo criei o hábito de ficar observando a paisagem a minha volta, tentando me livrar dos meus pensamentos. Porém, ao ver crianças jogando futebol com seus uniformes em uma praça pública, tudo passou a ter outro significado. Seja uma criança indo para escola levando sua mochila; a preocupação estampada no rosto de uma mãe com seus filhos; um idoso sentado em um banco de praça; o surpreendente encontro com uma coruja em uma noite estrelada. Não faz diferença. Todas estas coisas aparentemente ridículas me ensinaram que a beleza da vida não pode ser encontrada num dia de folga passeando ao shopping ou em alguma viagem de férias para outra cidade. Mas somente quando nasce aquele sentimento de admiração e respeito pelas coisas que não foram criadas pelo homem.

O desejo de uma vida com menos nasce da inteligência. Da confiança nas leis da natureza. No eterno viver e morrer que é a nossa vida. O nosso tempo passa muito rápido para se perder com brinquedos.

Espero encontrar novamente aquela velha coruja. Talvez ela possa dar alguns bons conselhos para um jovem que se tornou velho rápido demais.

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“Uma vida simples é de plenitude, em que o lucro é descartado, a esperteza é abandonada, o egoísmo é eliminado e o desejo é reduzido. Esta vida de perfeição parece ser incompleta, e a vida plena parece vazia. É uma vida brilhante como a luz, mas que não ofusca. Em resumo, é uma vida de harmonia, unidade, contentamento, tranqüilidade, constância, esclarecimento, paz, e uma vida longa”. (Bruce Lee)

domingo, 18 de maio de 2008

Consolo

“Renunciai á vossa pretensa cultura,
E todos os problemas se resolvem,
Oh!Quão pequena parece à diferença
Entre o sim e o não!
Quão exíguo o critério
Entre o bem e o mal!
Como é tolo não respeitar
O que merece ser respeitado de todos!
Ó solidão que me envolve todo!
Todo o mundo vive em prazeres
Como se a vida fosse uma festa sem fim,
Como se todos sorrissem em perene primavera!
Somente eu estou só...
Somente eu não sei o que farei...
Sou como uma criança que desconhece sorriso.
Sou como um foragido
Sem pátria nem lar...
Todos vivem na abundância,
Somente eu não tenho nada...
Sou um ingênuo, um tolo...
É mesmo para desesperar...
Alegres e sorridentes andam os outros!
Deprimido e acabrunhado ando eu...
Circunspectos são eles, cheios de iniciativa!
Em mim tudo jaz morto.
Inquieto, como as ondas do mar,
Assim ando eu pelo mundo...
A vida me lança de cá para lá,
Como se eu fosse uma folha seca...
A vida dos outros tem um sentido,
Eu não tenho uma razão de ser...
Somente a minha vida parece vazia e inútil;
Somente eu sou diferente de todos os outros-
E, no entanto – sossega meu coração!
Tu vives no seio da mãe do Universo.”(Lao Tsé)”.


Realmente, tudo isso não passa de consolo.