segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Elogio à Dúvida

Nascemos, crescemos e morremos sem nunca duvidar de nada. Temos medo de nossos pensamentos, não sabemos para onde eles irão nos levar ou o quê pode nos acontecer; temos medo de pensar. Cada vez mais temos menos espaço para pensar e duvidar, seja sobre nossa vida em sociedade ou mesmo sobre aquilo que se passa dentro de nós. Será que encontraremos tempo nesta vida para questionar o mundo ao nosso redor?

É óbvio que, uma vez apanhados pela onda social da influência e conformismo, estaremos perdidos para sempre. Para aqueles que percebem as mentiras contadas, viver em uma sociedade onde a idéia de liberdade não passa de ilusão, só pode criar um sentimento de vazio e desespero a todos que vivem neste ambiente doente. É curioso quando certos pensamentos cruzam nosso caminho, mudando para sempre nossa forma de enxergar a realidade. Talvez nunca mais ajamos da mesma forma. Buscaremos as respostas por trás dos falsos valores e, com isso, deixaremos de lado toda a influência imposta pelo meio social, deixando assim de levar uma vida superficial e medíocre.

Na grande peça teatral que é a nossa vida, desejamos um papel qualquer que nos traga segurança para podermos ter uma vida sem grandes preocupações. Mas será que realmente existe segurança no mundo em que vivemos? Se passarmos toda nossa vida sem, ao menos uma vez, parar e deixar tudo de lado (família, trabalho, estudo, medo e desespero) estaremos correndo o risco de nos tornarmos meros fantoches, nas mãos da ignorância.

Todos nos incentivam a aceitar tudo como está e a correr em círculos atrás de fantasmas, de preferência, de olhos e ouvidos tapados. Temos que duvidar de nós mesmos para que aconteça uma profunda mudança ao nosso redor.

Certos valores da tradição e da moralidade não passam de espantalhos colocados em nossa frente para nos manterem afastados e assustados. Assim, impedindo que os indivíduos criem uma mente critica que não aceite tudo como ovelhas em um rebanho.

Apesar de tudo, ainda há esperança. Em meio ao cinza gélido social, sempre surgirão personagens armados com uma mente livre de preconceitos e medos impostos desde o nascimento. Num mundo que existe apenas para o lucro e a repetição, coisas como pensar e duvidar se tornaram inconvenientes sociais. No momento em que a dúvida surgir na mente do indivíduo, estará ele sozinho e não terá a quem recorrer. A partir deste momento, travará uma luta pelo fim dos falsos valores, para assim poder se expressar de forma livre e singular.

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“As convicções são inimigas mais perigosas da verdade do que a mentira.” (Nietzche)